

Esse é um filme sobre o mundo de Maria Antonieta e nele política e povo ficam em terceiro plano. Ao optar por trazê-la para uma jovem bem próxima das adolescentes que conhecemos, Sofia faz um diálogo entre passado e presente. Quer com isso dizer que os tempos mudam, mas os anseios, medos e prazeres nem tanto.
Maria Antonieta é um belo desfile de cenários e figurinos, visualmente muito interessante. Todavia, em alguns momentos, o filme torna-se tedioso.
Sofia Coppola é no mínimo corajosa ao tentar recontar a vida de uma mulher que reinou totalmente alheia à política de seu país, enterrada em um mundo de excessos quase surreais, e ainda dar toques de modernidade a esta história.
Maria Antonieta não é um filme informativo, não é uma aula de História, não começa, nem termina com letreiros explicando o que aconteceu com os personagens. Mas se há uma cartela que bem caberia aqui é aquela usada por Stanley Kubrick no epílogo de Barry Lyndon, guardadas as devidas proporções. “Foi no reinado de Jorge III que as pessoas supracitadas viveram e brigaram; bons ou maus, belos ou feios, ricos ou pobres, eles agora são todos iguais”. caso do filme de Sofia, esse ‘iguais’ também pode caber. (vide COMENTÁRIOS)
COTAÇÃO: 7

Um comentário:
Maria Antonieta mantém uma relação visual e temática com os filmes anteriores de Sofia. Aqui, tem-se novamente uma jovem mulher sufocada em seu ambiente, em busca de sua própria voz. Desde As Virgens Suicidas (00), passando por Encontros e Desencontros (03), a diretora se mostra preocupada com a relação que se estabelece entre a sociedade e a formação da identidade das suas protagonistas. A solidão sempre tem um papel fundamental nessa busca. As virgens não podiam ter amigos, a personagem de Scarlet Johansson mal se encontra com o marido e vaga solitária por um hotel no Japão. Aqui, a monarca não está só –afinal é cercada de pessoas quase que constantemente – mas está solitária. Levada para França aos 14 anos, ela sempre foi vista como uma estrangeira, até uma espiã.
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